Recuperamos Vidas, desde 1881.
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“... quem nos bate à porta, perdido, abandonado, doente, em auto destruição, excluído, siga o caminho natural do ser humano: se realize, seja parte do todo que é a sociedade...”
História

  1881 – 1900

A Associação dos Albergues Nocturnos do Porto foi fundada a 1 de Dezembro de 1881, (Acta Inauguração Transcrição) por iniciativa do então Rei de Portugal D. Luíz I que contou para o efeito com o generoso e inestimável apoio e contributo do Bispo do Porto na altura, Cardeal D. Américo, como de toda a elite da sociedade portuense da época. Nesse dia, D. Luiz I e a sua esposa, Rainha D. Maria Pia, deslocaram-se ao Porto tendo previamente solicitado a presença no Palácio das Carrancas – atual Museu Soares dos Reis – da sociedade mais prestigiada da cidade.

No dia 30 de Setembro de 1882 os Estatutos desta Associação (1ºs Estatutos) foram aprovados pelo Governo Civil do Porto e a Instituição abriu portas pela primeira vez para acolher os mais necessitados de todos os desvalidos da nossa sociedade no dia 26 de Dezembro de 1882.

Desde essa data que se cumpre escrupulosamente a finalidade estatutária “…dar asilo temporário, durante a noite, a toda a pessoa necessitada que casualmente não tenha domicílio, seja qual for o sexo a que pertença, o país donde venha e a religião que professe…” e “ …prover de remédio pronto, na medida das suas possibilidades, às necessidades mais urgentes daqueles que lhe pedirem abrigo…”.

As primeiras instalações desta Instituição situavam-se na Rua de Santa Catarina, nº 684 a 689. Todavia, por razões económicas, renda demasiado elevada e razões geográficas, na altura zona periférica da cidade, em 1890 procede-se a uma mudança de instalações para a zona central da cidade para a Rua de S. Miguel n.º 25 – Bairro da Vitória. A cidade do Porto na altura era constituída por dois únicos bairros, o Bairro da Sé e o Bairro da Vitória.

Desta forma, verificou-se uma poupança de 150 mil reis/ano e aumentou significativamente o número de pessoas apoiadas pela Associação, devido à maior centralidade desta localização.

  1901 – 1920

Contudo, também estas instalações tornaram-se insuficientes para responder ao crescente número de necessitados de acolhimento que recorriam aos Albergues do Porto.

Por isso, e cumprindo o desejo que desde a fundação acompanha os corpos gerentes desta Instituição e que é proporcionar uma habitação condigna e que reúna as melhores condições de atendimento, dentro dos padrões mais rigorosos de segurança, higiene e comodidade de cada época, verificou-se, em 1903, uma nova mudança de instalações, agora para a Rua Mártires da Liberdade, nº 237, Cedofeita-Porto.

O potencial deste edifício para aumentar a capacidade fez com que a Associação estabilizasse nestas instalações, estando ainda hoje ali localizada a sede desta Instituição.

Com esta mudança de instalações aumentou-se simultaneamente a capacidade e a qualidade do apoio prestado.

A capacidade de alojamento passou de 25 para 30 camas, especificamente 20 homens e 10 mulheres, e o apoio passou também a incluir o fornecimento de roupa de dormir aos albergados. A maior disponibilização de camas para homens estava relacionada com a existência de maiores pedidos deste sexo.

Com este serviço de acolhimento nocturno era igualmente proporcionado aos utentes banhos e serviço de refeição, pequeno-almoço (café e pão) e jantar (sopa e pão).

Para além destes apoios que visavam satisfazer as necessidades básicas de sobrevivência, existem também referências de acções cujo âmbito de intervenção ultrapassava já o mero assistencialismo típico da época e pretendiam promover a integração laboral e/ou a retoma de laços sociofamiliares dos utentes albergados.

Estes relatos permitem perceber que desde os primórdios o espírito das acções sociais praticadas nesta instituição aponta no sentido de uma complementaridade entre intervenções de emergência social e intervenções de reinserção social.

Igualmente se encontram registos de elevado sentido de cooperação interinstitucional entre esta Associação e as restantes Instituições com intervenção nesta área, nomeadamente, o Hospital da Misericórdia, o Governo Civil e a Polícia, por forma a dar uma resposta mais abrangente e concertada à população mais carenciada.

Nos anos de 1906/1907, a Associação passa a disponibilizar 36 camas, 24 para homens e 12 para mulheres.

As festas de natal apresentam-se desde esta altura como uma actividade diferenciada na qual participavam residentes e não residentes, havendo registos de 200 a 300 pessoas a jantarem na ceia de natal.

“No ano de 1911, por falecimento do Sr. Arnaldo Ribeiro de Faria, sócio-fundador, que deixou à Associação dos Albergues Nocturnos do Porto o importante legado de 10 contos, habilitando assim a Direcção a comprar os dois prédios”. Assim, em 8 de Outubro de 1912, numa Reunião de Assembleia Geral pode ler-se o seguinte: “A Assembleia depois de devidamente elucidada com as explicações dadas verbalmente, concordou com a opinião do Conselho Administrativo e autorizou-o a efectuar a compra dos dois prédios sitos à Rua Mártires da Liberdade, 237 a 231 e 233 a 239, pela quantia de dez contos de reis…”. Logo, a partir desta data, o prédio passou a ser um bem próprio da Associação.

No contexto da 1ª Guerra Mundial, à AANP acorrem maior número de estrangeiros. Embora oriundos de diversos Países, as nacionalidades predominantes eram a Espanha e a França.

Simultaneamente, a Associação mostra dificuldades em manter o seu funcionamento, devido, por um lado, ao aumento do número de pessoas a pedir apoio e, por outro lado, à diminuição dos géneros alimentares, pela sua rarefacção e aumento de preços. “O pequeno-almoço passa a ser servido com pão dada a raridade de açúcar.” O apoio de pessoas idóneas a esta causa também diminui.

Apesar disto, nesta altura, assim como noutras posteriores de grandes dificuldades, sempre surgiram generosos beneméritos que acabavam por “salvar” a situação.

Em 1918, verifica-se o único episódio de encerramento da valência de alojamento. Esta valência fica encerrada por um período de cerca de 3 meses, devido à proliferação de uma epidemia: tifo exantematico.

Este encerramento forçado é contudo aproveitado para fazer obras de limpeza e remodelação do edificado que nesta data apresentava uma capacidade de alojamento de 50 camas.

  1921 – 1950

A partir dos finais dos anos 30, e por efeito directo da 2ª Grande Guerra Mundial, constata-se um aumento muito significativo do número de pessoas alojadas por ano. Se até então o número de pessoas registadas por ano não ultrapassava os 10 mil, a partir daí esse número duplica.

Para corresponder a esta necessidade, a AANP em 1942 aumenta a capacidade para 65 camas, 55 homens e 10 mulheres.

O apoio disponibilizado no período entre 1942 e 1998 abrangia homens e mulheres isolados, mas também casais com filhos menores.

  1951 - 1990

A 17 de Novembro de 1983 foi aprovada em sessão extraordinária de Assembleia Geral uma reformulação dos estatutos da Associação, no sentido de permitir a atualização desse documento e a transição de denominação de pessoa coletiva de entidade pública para Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS). Destes novos estatutos foi lavrada competente escritura pública no 7º Cartório Notarial do Porto a 28 de Dezembro de 1984 e publicado em Diário da República nº 51 – III Série de 02 de Março de 1985.

Apesar da reformulação geral dos estatutos os fins a que se destina a Instituição mantêm-se absolutamente inalterados (Estatutos atuais).

Na posse dos novos estatutos, a Instituição requer então o estatuto de IPSS, vindo este a ser registado na Direcção de Serviços das IPSS da Direcção Geral da Segurança Social em 19 de Setembro de 1985, no livro 2 das associações de Solidariedade Social a Fls. 183 e verso sob o nº 63/85, com efeitos retroactivos a 1983, data do requerimento (Registo de IPSS).

Entretanto, a textura social foi-se alterando, sendo necessário proceder a uma readaptação da dinâmica de funcionamento dos serviços que os adequasse em todos os aspectos aos tempos modernos.

Nesse sentido, em 1990, a Instituição decidiu pela primeira vez integrar nos seus quadros de funcionários uma Técnica de Serviço Social cuja função era “trabalhar tecnicamente” as situações sociais das pessoas Sem-Abrigo.

Embora a intenção de promover a inserção social dos utentes já estive patente nos primórdios desta Instituição, nunca antes se havia assumido de forma tão categórica a necessidade de uma intervenção técnica formal a realizar com os utentes.

Este foi por isso um momento fulcral porque representa o início da mudança do paradigma que orientava a intervenção realizada permitindo ultrapassar definitivamente a típica intervenção assistencialista e implementar uma efectiva intervenção de reinserção social com as pessoas Sem-Abrigo.

  1991 - 2000

Nesta linha de mudança de paradigma foi criada, a 9 de Fevereiro de 1998, uma Equipa Técnica de Reinserção Social constituída técnicos de diferentes especialidades - Psicologia, Sociologia, Medicina de Clínica Geral e Serviço Social.

Paralelamente, foi inaugurado também em 1998 uma segunda unidade de alojamento situada na Freguesia de Campanhã, junto da Estação de Campanhã, sito na Rua de Miraflor n.º 136, denominado Albergue de Campanhã.

Com estas duas iniciativas são ainda estabelecidos, nesse mesmo ano, novos acordos de cooperação atípicos com o Instituto da Segurança Social, I.P. (ISS).

A abertura da segunda unidade de alojamento faz com que o número de camas passe para 87 e, por conseguinte, o número de dormidas atinge as 21500, sempre complementadas com as refeições de jantar e pequeno-almoço, cuidados de higiene e agora igualmente acompanhamento biopsicossocial com vista promover a integração social.

Em 2000, a remodelação do 3º piso do edifício de Mártires da Liberdade permite criar um espaço de alojamento destinado ao acolhimento de famílias nucleares e monoparentais com crianças até aos dez anos de idade. Todavia, e devido à inexistência de acordo de cooperação com o ISS esta valência foi encerrada em 2004.

  2001 – ...

Ainda no início do sec. XXI, procedeu-se à rentabilização de uma área contígua ao edifício sede em Mártires da Liberdade, transformando o Rés do Chão – num espaço de exposição de produtos (Lojinha) – e o 1º andar num Lar Universitário – Residência Universitária Luiz I.

No início de 2006 foi implementado o Modelo de Intervenção Multidisciplinar (MIM) que define o funcionamento das respostas sociais disponibilizadas pela Instituição. Este Modelo complementa uma intervenção de emergência social, cujo objectivo é assegurar a satisfação das necessidades básicas de sobrevivência e dignidade humanas, designadamente ao nível do alojamento, alimentação, vestuário e higiene, com uma intervenção de reinserção social, realizada por uma equipa técnica constituída por profissionais de diferentes áreas – Técnicos de Serviço Social; Psicólogos; Médico de Clínica Geral; e Monitores – através da qual se pretende promover a efectiva inclusão familiar, social e profissional.

Em 2006, e como forma de comemorar os 125 anos da Instituição foi editado em Novembro o Livro “Vidas à Parte. Passado, Presente e Futuro.” que retrata a história, o funcionamento e os projectos futuros da Instituição e realizado nos dias 05 e 06 de Dezembro o 1º Congresso organizado pela Associação subordinado ao tema: Exclusão Social – A População Sem-Abrigo – onde entre as inúmeras apresentações foi exposto o Modelo de Intervenção Multidisciplinar em vigor na Instituição.

Em meados de 2008, no âmbito do processo de negociação da renovação dos acordos com o ISS e com o objetivo de melhorar qualitativa e quantitativamente a sua intervenção, a capacidade de alojamento no Albergue D. Margarida de Sousa Dias foi reduzida de 65 para 60 camas - 49 homens e 11 mulheres - por forma a assegurar que a resposta social cumpria rigorosamente todas as normas regulamentares de higiene e segurança.

Em Dezembro de 2008, renovam-se os acordos de cooperação atípicos com o ISS, sendo que as respostas sociais fornecidas pela Associação passam a ser designadas de Centro de Alojamento Temporário.

Com este novo acordo a Instituição alargou o seu âmbito de atuação. Passou a fornecer 4 refeições diárias – pequeno-almoço, almoço, lanche e jantar – aumentou e diversificou as especialidades de técnicos no seu quadro de funcionários e criou o Ateliê Ocupacional ALBERG’ART.

Este Ateliê Ocupacional, tal como previsto no MIM permite complementar as intervenções individualizadas a nível social, médico e psicológico, com um conjunto diversificado de atividades grupais de cariz ocupacional, terapêutico, pedagógico e lúdico, adequadas aos diferentes estados de motivação e capacidade das pessoas.

Em Maio de 2012, perante o contexto de gravíssima crise socioeconómica, a Associação estabeleceu protocolo de cooperação com o ISS para a implementação do Serviço de Apoio Alimentar à Comunidade.


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